| Princípios do V ENAPEGS |
|
|
|
| Escrito por Ives Romero Tavares do Nascimento |
| Qui, 28 de Abril de 2011 13:43 |
|
Gestão social como possibilidade de ampliação da esfera pública: o que desejamos no V ENAPEGS?
Este texto traz à tona algumas conjecturas que circularam e circulam entre algumas das pessoas que sonharam com a ideia do V ENAPEGS antes que, muitos mais, botassem as mãos na massa para realizá-lo. Pode ser olhado como um exemplo de escrita criativa, como uma daquelas pinturas que se fazem em conjunto, muitas pessoas, cada uma com um pincel na mão colocando sua inspiração na tela e, ao mesmo tempo, sendo inspirado pelo que @s outr@s estão desenhando. Assim, trata-se de um texto aberto, como vários feixes de luz compondo um arco-íris, onde o número das nuances possíveis só é dado nos limites da nossa imaginação. O texto é parte de um processo que se iniciou em 2010, quando um grupo de amigos definiu alguns princípios que nos orientariam inicialmente na construção deste V ENAPEGS: Circularidade - Que o próprio evento constitua espaço de experiência e experimentação metodológica na forma como é construído e nas reflexões que promove. Diversidade - de formatos, de áreas do conhecimento científico e não científico, de organizações, de regiões e de pessoas participantes. Diálogo e dialógica – abertura de possibilidades de interação com linguagens diferenciadas, com arte, teatro, “contação” de histórias. Interdependência – estabelecendo conexões em rede e atentando para o movimento que nos une. Incerteza – movimento de refletir, ao nos relacionarmos com o conhecimento, com o pensamento, com o outro, considerando as nossas pressuposições como uma, dentre tantas outras possibilidades existentes – conhecidas e a conhecer. Suspensão dos estados de “certezas”. Ampliação do processo de aprendizagem. “Inclusividade” – capacidade de sustentar a tensão ao lidar com a diversidade, nos temas, posturas, conhecimentos que pareçam contraditórios, divergentes, incluindo-os. Enriquecendo o diálogo, as perspectivas de gerar novas percepções, novos olhares. De lá para cá, seguimos em diálogo e decidimos compartilhar algumas ideias com os demais participantes do Enapegs, convidando-os a entrar na conversa. Uma conversa sobre gestão social e princípios que orientam nossa ação e nossos desejos em relação ao evento. Começamos com este texto e nos propomos a seguir por outros meios e em outros momentos, antes, durante e depois do Encontro, com quem mais desejar participar.
Edgilson Tavares
Vivermos numa sociedade organizacional e de gestão nos leva à necessidade de repensar a ideologia gerencialista criada entre o homem e a sociedade. Neste sentido, partimos para novas definições sobre gestão, buscando compreendê-la como processo relacional. Porém, dificilmente deixamos de lado o pensamento instrumental que nos leva a sempre perguntar: Como fazer gestão? Ao trazermos à tona as discussões sobre gestão social na perspectiva das possibilidades para ampliação da esfera pública, per si, nos leva a pensar em novas questões: Por que fazer gestão? Que gestão? Para que gestão? Estas indagações geram tensões inquietantes na busca de um novo sentido para compreender relações e processos sociais, geralmente mediados/regulados pela gestão que, tradicionalmente, apresenta-se como “pragmática e, portanto, não ideológica, fundada sobre a eficácia da ação, mais do que sobre a pertinência das idéias”. Trata-se de uma “metalinguagem” que influencia fortemente diferentes atores[1] Cotidianamente, procuramos na gestão um sentido para a ação individual e coletiva e, por vezes, para a vida. Ao tentar explicar, ensinar e aprender gestão, sempre se valoriza a habilidade prática (craft) aprendida a partir, principalmente, da experiência enraizada no contexto. Henry Mintzberg, em sua última publicação, “Managing – desvendando o dia-a-dia da gestão”[2], enfatiza que gestão é algo que não se ensina, mas se pratica. A gestão envolve ciência (análise das evidências e conhecimentos sistemáticos), arte (compreensão e visão baseadas na intuição e emoções; discernimentos criativos) e prática (experiência, aprendizagem). Sabemos, porém, que raros são os momentos nos quais concretamente temos oportunidades reflexivas sobre a gestão enquanto prática, bem como, é raro nos permitimos experimentar novas experiências e obter discernimentos criativos. Frente a tais argumentos, podemos fazer novas indagações: O que as pessoas fazem da gestão? O que a gestão faz com as pessoas? Como as pessoas vivem na sociedade da gestão? Tais questões podem guiar as discussões sobre a gestão social, já que para tentar respondê-las se faz necessário reconhecermos a diversidade de visões de mundo, lógicas, valores, formas de comunicação, prioridades ao se viver... São diferentes pessoas e organizações de todo o país que durante o V ENAPEGS poderão debater e vivenciar, num espaço de diálogo e dialógica, diferentes formas de manifestação para expressar conhecimentos e visões (tidas como científicas ou não) sobre a gestão social e a esfera pública. Abrir este espaço significa a possibilidade de novas concepções e metodologias para a gestão social com a presunção da ampliação da esfera pública. Compreendemos que construindo coletivamente novos meios, poderemos chegar a novos fins. Para tanto, é necessário estarmos dispostos e disponíveis a educar o nosso olhar, escutar ativamente, respeitar o próximo e o coletivo, deixar fluir a razão com emoção e vice-versa. Não há dúvidas que a gestão, muitas vezes vista como espécie de conformismo ao sistema e às relações capital-trabalho, vem sendo considerada cada vez mais necessária no âmbito do social, mesmo para os mais céticos. Ao tratarmos da gestão cujo objeto é o social, deve-se atentar para que tipo de gerenciamento, com quais finalidades, características e racionalidades. Seria a gestão social uma contraposição à lógica taylorista, vista como uma forma mais humanizada e compactuada para inovar e promover mudanças, inclusive nas relações capital-trabalho? Ou seja, a qualificação da gestão como social altera essencialmente a concepção de gestão? A gestão social enquanto construto inovador in process que vem ocorrendo em diferentes tempos e dinâmicas em torno de um mesmo objeto (o social, enquanto coletivo, relacional e societário) vem buscando novas caminhos e explicações. Para isso, deve atrair de maneira indispensável a inclusividade de conhecimentos e atores necessários para construir e solidificar tal concepção, zelando pela primazia essencial dos valores democráticos e da defesa de direitos manifestos em vários campos das Ciências Sociais. Trata-se da necessidade de inovação nas lógicas e práticas gerenciais, de modo que se tornem mais éticas e humanitárias. Para tanto, necessitamos além do “ser” e “estar”, compreender o “vir a ser” gestor social. Compreensão esta que exige sentir a interdependência que nos torna viventes, iguais e diferentes, e apenas a certeza das infinitas possibilidades de aprendermos juntos durante antes, durante a após o ENAPEGS.
Valéria Giannella
Pegando a deixa do Edgilson em seu texto: “A gestão envolve ciência (análise das evidências e conhecimentos sistemáticos), arte (compreensão e visão baseadas na intuição e emoções; discernimentos criativos) e prática (experiência, aprendizagem). Sabemos, porém, que raros são os momentos nos quais concretamente temos oportunidades reflexivas sobre a gestão enquanto prática, bem como, é raro nos permitimos experimentar novas experiências e obter discernimentos criativos.” Reflito em torno destas considerações, pois esta partição lembrada pelo meu amigo Dido é tão real e afeta tanto a maioria de nossas práticas de gestores que quando, por alguma conjuntura, conseguimos juntar aqueles aspectos todos numa ação só (saber sistematizado, intuição, emoções, arte e inspiração criativa....) os êxitos são acima do normal e parecem extraordinários. Fomos acostumados pela nossa educação de profissionais e cientistas a manter estas dimensões separadas e que esta própria separação seria a garantia de validade do nosso saber científico. Hoje esbarramos nos limites trazidos pela visão separada do mundo que tanto fatigamos em conquistar. O mundo que vivenciamos nos surpreende continuamente com sua variedade, diferença, imprevisibilidade, complexidade e contradição. Não existe aparentemente um princípio só capaz de dar conta disto tudo, isto é exatamente o contrário do que fomos puxados a acreditar: que o princípio de racionalidade científica (linear, instrumental, objetiva) fosse a pedra de toque para podermos conhecer, intervir e dominar a realidade natural e social. Hoje, bem pelo contrário, a palavra Integração emerge sempre mais como palavra-chave. Integração de sujeitos, integração de lógicas e princípios norteadores, integração de antigas dicotomias, integração das lições que as múltiplas culturas que convivem, muitas vezes, uma ao lado da outra, nos propõem sobre as maneiras de gestão e de convivência com a natureza e com o Outro... A linda história do Espelho quebrado que Vivina vai nos contar, (se ela topar com minha deixa) concretiza de forma linda e mais eficaz do que muitas páginas de texto a situação em que nos encontramos. Mais uma coisa me urge dizer, que caracteriza e especifica meu entendimento do tópico que escolhemos para o ENAPEGS deste ano (A Gestão Social como caminho para a redefinição da esfera pública). Pois entendo esta redefinição, de novo, como Integração (pelo menos nos vários sentidos aludidos acima) e vejo (no sentido bem concreto do termo) a insuficiência de uma lógica participacionista apenas concebida como construção de arenas nas quais os sujeitos capazes de utilizar os códigos consagrados da racionalidade científica têm vez e voz. Podemos sintetizar dizendo que lutamos muito tempo em prol da passagem da racionalidade cientificista à racionalidade dialógica para reconhecermos, hoje, a sua total insuficiência. Para que estejam presentes em nossas práticas de gestão as subjetividades e práticas sociais que o paradigma positivista, não podendo homogeneizar obliterou, precisamos recorrer a novos formatos de ação, novas Metodologias que podemos chamar, referido a tudo o que falamos acima, de Integrativas. Elas nos permitem darmos voz aos que foram “ausentados” pela lógica dominante e amplificar as tendências que o modelo de produção sócio-econômica dominante quis apagar. Elas remetem à Sociologia das Ausências e das Emergências que Boaventura de Souza Santos nos propõe (SANTOS, 2008[3]), mas focalizam especificamente o aspecto do “como fazer” que ainda é fraco e pouco desenvolvido na proposta de Boaventura. Como agir, praticamente, a partir de amanhã, em nossos projetos sociais, quer que eu seja Poder Público, Universidade ou terceiro setor? Falamos de inclusão, mas ao praticá-la ainda caímos nas práticas convencionais (baseadas na racionalidade lógico-verbal) que excluem os excluídos de sempre. Podemos começar a pensar em incluir a contação de histórias, a dramatização teatral, a expressividade dos corpos e as mil outras possibilidades expressivas que o ser humano, se não cauterizado, usa normalmente para fazer sentido e dar sentido ao seu mundo para ampliar a esfera pública no nosso e nos demais países do mundo em crise do terceiro milênio? Eis a forma em que enxergo o desafio que o nosso V ENAPEGS nos leva a pensar. Em Florianópolis teremos uma bela chance de partilharmos reflexões, experimentos e anseios, em um formato ele mesmo inovador, para avançarmos na direção desejada.
Vivina Machado
E pegando daí, neste exercício de gerir conjuntamente a escrita deste texto, de incluir as nossas diversas percepções, de atuar de forma interdependente e de colocar em suspensão as certezas que possamos ser tentados a crer relativas – sobretudo, à gestão social... aceito o convite da amiga Valéria e inicio contando o mito do espelho de Olorum, que no candomblé, representa O Criador.
“Conta-se que no princípio havia uma única verdade no mundo. Entre o Orun, mundo espiritual e o Aiyê, mundo material havia um espelho. Daí é que, tudo que se mostrava no Orun materializava-se no Aiyê. Ou seja, tudo que estava no mundo espiritual refletia–se exatamente no mundo material. Ninguém tinha a menor dúvida sobre os acontecimentos como verdades absolutas. Todo cuidado era pouco para não quebrar o espelho da verdade. O espelho ficava bem perto do mundo material e bem perto do mundo espiritual. Naquele tempo vivia no Aiyê uma jovem muito trabalhadora que se chamava Mahura. A jovem trabalhava dia e noite ajudando sua mãe a pilar inhames. Um dia, inadvertidamente, perdendo o controle do movimento ritmado da mão do pilão, tocou forte no espelho que se espatifou pelo mundo. Assustada, Mahura saiu desesperada para se desculpar com Olorum. Qual não foi a sua surpresa quando O encontrou tranqüilamente deitado a sombra do Iroko. Olorum ouviu as desculpas da jovem com toda a atenção. Em seguida declarou que, daquele dia em diante não existiria mais uma única verdade no mundo. Declarou ainda: De hoje em diante quem encontrar um pedacinho de espelho em qualquer parte do mundo, estará encontrando apenas uma parte da verdade, provavelmente a sua verdade própria. Por que o espelho reproduz apenas a imagem do lugar onde ele se encontra (VANDA MACHADO, 2006)[4].”
E o que este mito pode nos ajudar a refletir sobre gestão? E na gestão do V ENAPEGS?
Com o mito quero ressaltar três dos princípios que norteiam o Encontro: Interdependência, Incerteza e “Inclusividade” e aí seguirmos no nosso diálogo. O mito expõe a quebra do grande espelho, que, ao ser quebrado, nos re-liga com os seus pedaços. Nos re-liga para que ampliemos o encontro. A verdade só se refletirá novamente com a junção dos pedaços de espelho. A Verdade para ser revelada deverá unir as várias verdades, num movimento sistêmico, de interdependência. Para Maturana, o social é uma dinâmica de relações humanas que se funda na aceitação mútua. Ele nos diz: “Se não há aceitação mútua e se não há aceitação do outro, e se não há espaço de abertura para que o outro exista junto de si, não há fenômeno social” (MATURANA, 2006, p. 47)[5]. Neste movimento do encontro, a gestão como ato relacional[6], interdependente, sistêmico que influencia e é influenciado pela rede de convivência, pelos múltiplos saberes, conhecimento, pela revisão de estruturas estabelecidas, pelas possibilidades de abertura de diálogos, de gerir os conflitos que emergem desta rede de diversidade, de promover interrelações, de atuar em rede, de expandir a atuação conjunta. De vivenciarmos no ENAPEGS a interdependência.
E a “Inclusividade”?
Olorum inclui a quebra do espelho: já que o espelho está partido, a única verdade se transformará em muitas verdades. Cada pedaço de espelho refletirá uma verdade. “De agora em diante não existirá uma única verdade”. A gestão como ato inclusivo, de abarcar as diversidades, de enriquecer as perspectivas e criar novas possibilidades de ação, de reflexão. Gestão que inclui Razão e inclui emoção. Gestão que inclui o processo na obtenção de resultados. Processo que se inclui como resultado. O ENAPEGS incluindo as múltiplas perspectivas, olhares, visões, conhecimentos, epistemologias.
E a Incerteza?
Como ter certezas com a existência dos múltiplos pedaços de espelho? Como ter certezas se cada pedaço de espelho mostra um pedaço da Verdade? “...tudo que se mostrava no Orun materializava-se no Aiyê. Ou seja, tudo que estava no mundo espiritual refletia-se exatamente no mundo material. Ninguém tinha a menor dúvida sobre os acontecimentos como verdades absolutas”. O princípio da Incerteza que tem o sentido de um questionamento, de uma atitude de permanente vigilância sobre a “tentação da certeza”, como Maturana e Varela (1998) falam amplamente no livro A Árvore do Conhecimento[7]. A gestão como suspensão dos estados de certezas que podem empobrecer, que podem criar rigidez. Edgar Morin nos fala sobre a necessidade de enfrentarmos a incerteza, diz que “conhecer e pensar não é chegar a uma verdade absolutamente certa, mas dialogar com a incerteza [...] assim quando conservamos e descobrimos novos arquipélagos de certezas, devemos saber que navegamos em um oceano de incertezas” (MORIN, 2003, p. 59)[8]. O princípio da Incerteza no V ENAPEGS pode contribuir para que possamos abrir mão, refletir sobre algumas certezas que muitas vezes se tornam absolutas. E ao abrir mão, podemos também criar um campo para proliferação de novas, de inovadoras possibilidades. A gestão como práxis, fluida, em que resultado inclui processo e é processo em movimento. Esta proposta do V ENAPEGS trás em si mesma o experimentar a gestão fazendo uma reflexão da gestão do Encontro. Abrindo possibilidades de olhar para si mesmo ao gerir. Fazendo a integração: teoria e prática.
E como é praticar a teoria? E como é teorizar a prática? Quais as possibilidades de refletir sobre as práticas? Quais as possibilidades de criar novas práticas, de integrar metodologias, de vivenciar as metodologias integrativas?
Desejamos criar juntos espaços de reflexão, ampliando as possibilidades de atuarmos de forma interdependente, inclusiva. E fechando com a deixa de Edgilson que Valéria reforçou: “A gestão envolve ciência (análise das evidências e conhecimentos sistemáticos), arte (compreensão e visão baseadas na intuição e emoções; discernimentos criativos) e prática (experiência, aprendizagem)”. Que, no ENAPEGS, estejamos atentos, unidos, vivenciando, refletindo e unindo ciência, arte e prática. Aprendendo a gerir para que A Gestão Social seja um caminho para a redefinição da esfera pública.
Paula Chies Schommer
Quando finalmente paro para ler este texto que vem sendo elaborado há certo tempo, meu coração vibra ao “ouvir” meus colegas. Posso mesmo ouvir o som da voz de Edgilson e ver seu jeito falando, ouvir Valéria e seu sotaque cada vez mais brasileiro, ouvir e ver Vivina pronunciando as palavras em meio a seu rosto sorridente. Sinto arrepio e profunda emoção ao ler a história do mito do espelho, embora a tenha lido e ouvido outras vezes. Desde que começamos a desenhar esta quinta edição do Enapegs, em uma reunião da Rede de Pesquisadores em Gestão Social, no encontro de Lavras, Valéria, Vivina e Edgilson estiveram sempre presentes, com ideias, opiniões, incentivo, amizade, compromisso. Além deles, muitas pessoas vem se envolvendo com dedicação e entusiasmo. Há os amigos de longa data, amigos que vamos fazendo ao trabalharmos juntos, pessoas que ainda não se conhecem pessoalmente, de várias partes do país e de fora, que escrevem, participam, sugerem, comprometem-se, ligam-se a essa rede invisível e tão perceptível. Sou grata à vida por me proporcionar estar com essas pessoas vivendo a experiência de construir um Encontro, de ajudar a tecer fios e nós de uma Rede, de aprender um pouco sobre gestão social ao participar da gestão de um pequeno empreendimento coletivo. Um dos grandes desafios disso tudo, me parece, é aproveitar os potenciais de tantas pessoas reunidas. Construir o Enapegs usando e desenvolvendo as potencialidades da Rede. Estejamos todos atentos a esse desafio, ao que significa para cada um de nós essa oportunidade, ao que esse Encontro nos permite experimentar, aprender, construir e destruir. A abundância é maravilhosa, mas pode gerar frustrações se não formos capazes de percebê-la e lidar com ela. Uma das coisas que esse evento tem me permitido perceber é a força do coletivo, do engajamento, da participação. É só um pequeno evento e me impressiona o que é possível fazer juntos. Se podemos fazê-lo nesse Encontro, nessa Rede, podemos fazê-lo em nossas instituições, em nossos bairros, nossas cidades. É impressionante o que acontece quando pedimos ajuda. As pessoas ajudam! A solidariedade está muito presente. É bonito o que acontece quando pedimos opinião. As pessoas opinam! E ao opinar se envolvem, ao se envolverem trazem consigo outras tantas possibilidades. Às vezes fico preocupada com os recursos financeiros (será que vai dar?), e logo percebo que tudo vai se arranjar, que temos muitas possibilidades, que dá para fazer muita coisa com os recursos de que já dispomos. E que o limite de recursos nos faz buscar soluções mais simples e baratas e nos faz pedir ajuda, um belo exercício. Diante de uma de nossas parceiras que perguntava o que faríamos se faltasse dinheiro, eu disse: não se preocupe, é um evento simples, sem extravagâncias, seremos responsáveis e parcimoniosos nas despesas. E se faltar, no final a gente faz uma “vaquinha” e todos contribuem. Somos uma comunidade. E as contas serão todas quitadas. Tenho procurado ficar atenta aos princípios que definimos nas primeiras conversas – experimentação, diálogo e dialógica, interdependência, diversidade, inclusividade, incerteza. Percebo o desafio da diversidade quando procuramos incluir no Enapegs diferentes áreas do conhecimento e pessoas de diferentes origens. A tendência é agregarmos pessoas que são da mesma área, do mesmo meio, os já conhecidos. É preciso buscar com determinação, humildade e criatividade os que diferem de nós em algo, para que possamos, primeiramente, perceber nossos limites, até para saber a quem procurar, depois nos encantar com as diferenças, com o que o outro sabe e eu não sei e, em seguida, perceber o quanto temos em comum e o quanto podemos aprender juntos. Percebo o desafio da “inclusividade”, por exemplo, quando definimos um número limitado de participantes. Algo que imagino debateremos bastante. O que mais tenho aprendido é valorizar a incerteza, algo complicado para uma administradora como eu, ainda mais com família de origem alemã (tudo tem que ser certinho, previsível). A incerteza tem me surpreendido com a abundância de possibilidades. Percebo que a incerteza pode incluir o planejamento, os critérios (e sua discussão, quando se percebe no meio do processo que poderiam ser melhores), os limites pré-definidos. E ir muito além deles. Diante disso tudo, sinto que aprendo sobre gestão social, sobre como podemos atuar na esfera pública, sobre como podemos nos conectar a outras pessoas, dialogar com elas, gerir com elas, ampliar possibilidades, aprender juntos, construindo novos repertórios de ação e de interpretação. Fico por aqui, convidando aos demais que quiserem entrar nesse diálogo. No site da RGS (www.rgs.wiki.br) há uma página que apresenta os princípios do evento. É possível usarmos esse espaço para ouvir percepções dos demais participantes. Podemos debater usando o Facebook, alguns já são “amigos” do “Enapegs Encontro” por lá, outros podem se agregar. Quem preferir, pode enviar email para Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ou para os que iniciaram a conversa: Edgilson ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ), Valeria ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ), Vivina ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ), Paula ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ).
E, é claro, nos encontramos ao final de Maio, em Florianópolis!
Até breve.
[1] GAULEJAC, V. Gestão como doença social. Ideologia, poder gerencialista e fragmentação social. 2 ed. Tradução: Ivo Storniolo, Aparecida-SP: Idéias & Letras, 2007, p. 63 (Coleção Managment , 4). [2] MINTZBERG. H. Managing. Desvendando o dia a dia da gestão. Tradução: Francisco Araújo Costa. Revisão: Roberto Fachin. Porto Alegre: Bookman, 2010. [3] Boaventura de Souza Santos, A Sociologia das Ausências e das Emergências, In: A Gramática do Tempo. Para uma nova cultura Política. Cortez Editora, 2ª Edição, São Paulo, 2008. [4] MACHADO, Vanda. Àqueles que têm na pele a cor da noite: ensinâncias e aprendências com o pensamento africano recriado na diáspora. 2006. Tese (doutorado em Educação). Faculdade de Educação, Universidade Federal da Bahia. Salvador: UFBA, 2006. [5] MATURANA, Humberto R. Cognição, ciência e via cotidiana. Belo Horizonte: UFMG, 2006. [6] FISCHER, Tânia. Poderes locais, desenvolvimento e gestão: introdução a uma agenda. In: FISCHER, Tânia (org.). Gestão do desenvolvimento e poderes locais: marcos teóricos e avaliação. Salvador: Casa da Qualidade, 2002. [7] MATURANA, Humberto R.; VARELA, Francisco J. The tree of knowledge: the biological roots of human understanding. Boston: Shambhala, 1998. [8] MORIN, Edgard. A cabeça bem feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 8. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.
|
| Última atualização em Qui, 28 de Abril de 2011 14:02 |







